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Acesso ao diagnóstico ainda é desafio para autistas em Rondônia

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3 de maio de 2026
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Apesar do aumento da conscientização sobre o autismo nos últimos anos, o problema vai além da informação. A principal barreira está na estrutura disponível: escassez de profissionais qualificados e dificuldade de acesso a serviços especializados, diagnóstico precoce e às terapias adequadas.

Em Rondônia, esses problemas são evidentes. Famílias de baixa renda, mesmo quando se antecipam diante de sinais de alerta para o autismo, enfrentam uma longa jornada até a confirmação do diagnóstico. Em muitos casos, o laudo pode levar até dois anos para ser fechado.

A rede pública de saúde conta com poucos neurologistas para atender à alta demanda. O processo envolve múltiplas etapas: primeiro, a espera na fila de regulação para conseguir a consulta inicial; depois, uma nova fila para o retorno com o médico, já com os exames solicitados.

Os exames são outro obstáculo. Não há garantia de urgência, e procedimentos como o BERA com sedação, frequentemente solicitados para descartar problemas auditivos antes do fechamento do diagnóstico, podem demorar meses — ou até mais — para serem realizados.

Diante dessa realidade, muitas famílias recorrem à Defensoria Pública ou ao Ministério Público para judicializar o acesso aos exames, buscando decisões do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) que obriguem o Estado a garantir a realização com urgência ou custear o procedimento na rede privada. A batalha judicial também pode ser longa.

Sem laudo, sem acesso

A ausência do laudo gera um efeito em cadeia que compromete toda a vida da pessoa autista.

Uma ex-funcionária da Associação de Amigos do Autista de Rondônia (AMA-RO) relatou ao Imprensa Atípica que presenciou diversas famílias chegarem com crianças de 5, 6 e até 7 anos ainda sem diagnóstico fechado. Ela afirmou que ficava com “o coração cortado”, mas não podia fazer nada. “Sem o laudo, não é possível ser atendido na AMA nem em outras entidades”, disse.

Mesmo com características autísticas evidentes, uma criança sem laudo também não consegue ter acesso a terapias nos centros especializados da rede pública, a medicamentos nas farmácias públicas, a professor auxiliar na escola, nem ao benefício previdenciário que poderia ajudar no custeio do tratamento.

Na prática, o desenvolvimento dessas crianças também fica parado na fila de espera do sistema público. Enquanto isso, o tempo passa — e, no autismo, o tempo é um fator decisivo.

Impacto no desenvolvimento

A falta de uma política estruturada voltada ao diagnóstico precoce impacta diretamente as famílias de baixa renda, que dependem exclusivamente do SUS. Especialistas são unânimes ao afirmar: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as possibilidades de desenvolvimento.

Segundo a pediatra e sanitarista Dra. Zilda Arns (in memoriam), referência histórica na promoção do desenvolvimento infantil no Brasil, “os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo da criança”, e atrasos nesse período podem gerar impactos duradouros.

No campo específico do autismo, o neuropediatra Dr. Clay Brites, uma das principais referências atuais no Brasil, reforça essa preocupação ao afirmar que intervenções precoces são fundamentais para potencializar o desenvolvimento da criança com TEA, especialmente nas áreas de linguagem, comportamento e interação social.

“Quanto mais cedo começarmos a intervenção, maiores são as chances de ganhos significativos no desenvolvimento da criança”, destaca o especialista.

Diante desse cenário, o enfrentamento do problema exige mais do que campanhas de conscientização, como o Abril Azul. É necessário investimento na formação de profissionais, ampliação da rede pública e criação de políticas que garantam acesso rápido, contínuo e de qualidade, para tirar da situação de abandono milhares de crianças que seguem esperando por um diagnóstico que pode definir o rumo de suas vidas.

 

 

Fonte: Lucas Tatuy

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