A violência contra a mulher, a valorização da identidade amazônica, os saberes dos povos tradicionais e os desafios ambientais da região estiveram entre os temas que marcaram a abertura da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental, realizada nesta segunda-feira (3), na Escola Estadual Major Guapindaia, em Porto Velho.
Ao longo do dia, estudantes do ensino médio participaram de sessões gratuitas de cinema e tiveram a oportunidade de conhecer de perto cineastas, produtores, atores e profissionais do audiovisual rondoniense. Mais do que exibir filmes, a proposta do festival foi transformar a escola em um espaço de encontro entre jovens e histórias produzidas na própria Amazônia.
Cinema para provocar reflexão
Entre os destaques da programação esteve o filme Contraste, produção rondoniense que aborda a violência contra a mulher por meio da trajetória da palhaça Firmina. Utilizando elementos do universo circense, a obra conduz o espectador a uma reflexão sobre um problema que segue presente na sociedade brasileira.
Produtora do filme, Taiane Sales destaca que a produção nasceu da necessidade de dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece silenciada. “Em Contraste, a palhaça Firmina representa muitas mulheres que convivem com situações de violência que, por vezes, permanecem invisíveis. A arte nos permite abordar esse tema de forma sensível, mas também muito direta. Exibir esse filme para estudantes é uma oportunidade de ampliar o debate e estimular a reflexão sobre respeito, empatia e direitos das mulheres”, afirma.
A identificação do público com os temas apresentados ficou evidente durante as exibições. A estudante Caroline Nayara, de 17 anos, destacou o impacto provocado pelo filme. “Os temas abordados chamaram muito a atenção. Eu gostei dos dois filmes, mas o segundo impacta mais a gente, principalmente por tratar da violência contra a mulher. Eu acho que trazer isso para as escolas abre os olhos dos alunos para assuntos que muitas vezes eles não têm acesso e ajuda na conscientização”, disse.
Histórias da Amazônia contadas por quem vive na Amazônia
A programação também contou com a exibição de produções como CL[Y]MATICS, A Expedição do Guaporé, Kika Não Foi Convidada, Jacaré, o Filho dos Andes e Beira, filme produzido integralmente por profissionais amazônidas e que retrata a diversidade dos povos e culturas da região.
Uma das produtoras da obra, Ana Maura Ramos, ressaltou a importância de aproximar os estudantes da produção audiovisual local. “Foi um filme construído por pessoas da nossa região e que mostra o negro, o indígena, os ribeirinhos e suas histórias. É importante que os alunos vejam que o audiovisual também movimenta a economia e cria oportunidades. Talvez muitos deles descubram hoje que também podem fazer parte desse universo”, afirmou.
Para a estudante Clarice Vasconcelos, de 16 anos, a experiência representou uma oportunidade de contato com histórias e conhecimentos que muitas vezes ficam distantes do cotidiano dos jovens. “Hoje em dia muita gente não procura mais saber dessas histórias. Eu achei muito importante porque fala das nossas origens, dos povos indígenas e da nossa cultura. Foi uma experiência muito legal e uma forma de aprender mais sobre o mundo e sobre quem somos”, destacou.
Formação de público e fortalecimento do audiovisual
Para o secretário de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel), Paulo Higo, o CINEAMAZÔNIA desempenha um papel importante no fortalecimento do audiovisual rondoniense e na ampliação do acesso à cultura. “O CINEAMAZÔNIA é muito importante para o audiovisual do nosso estado. É um espaço onde as produções feitas em Rondônia ganham visibilidade e alcançam novos públicos. Além disso, promove debates fundamentais sobre meio ambiente, clima e sustentabilidade, levando essas reflexões para a comunidade e para as escolas”, afirmou.
A escolha da Escola Major Guapindaia para sediar a abertura da programação também foi celebrada pela direção da unidade. O diretor Célio Leandro Silva destacou a trajetória do festival e sua contribuição para a valorização da cultura amazônica. “O CINEAMAZÔNIA vem retratando nossa história, nossas lutas pela preservação ambiental, pelo pertencimento e pela valorização da cultura amazônica. Estamos muito honrados em receber a abertura desta edição e proporcionar essa vivência cultural aos nossos estudantes”, disse.
Segundo o diretor do festival, José Jurandir da Costa, a presença do CINEAMAZÔNIA nas escolas reforça uma das principais missões do projeto ao longo de suas quase duas décadas de existência. “Desde a sua criação, o festival busca democratizar o acesso ao cinema e levar produções audiovisuais para públicos que muitas vezes não têm a oportunidade de participar desse tipo de experiência. Estar dentro das escolas é uma forma de aproximar os estudantes do audiovisual brasileiro e amazônico, estimulando o pensamento crítico, a criatividade e a reflexão sobre temas que fazem parte do cotidiano da nossa região”, destacou.
A programação do CINEAMAZÔNIA segue até o dia 7 de agosto, com exibições de filmes, oficinas e atividades formativas em escolas públicas de Porto Velho, Itapuã do Oeste e Candeias do Jamari reforçando o papel do cinema como instrumento de educação, cidadania e conscientização ambiental.
A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia.
Apoio: Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Comunicação; Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
Realização: Acapulco Filmes













