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Parque Estadual Serra dos Reis, que une o turismo à pesquisa técnico-científica recebe visita do secretário da Amazônia

24/11/2020   10:42

 

O sonho do ecoturismo no Vale do Guaporé não está mais tão distante da realidade. Ao visitar, na última semana, a sede do Parque Estadual Serra dos Reis, o secretário da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, acenou com apoio federal ao Governo de Rondônia na reestruturação desse reduto verde.

 

A coordenação do Parque está vinculada à Secretaria Estadual do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que tem apoiado a proteção integral às riquezas botânicas e faunísticas desse território de 36,44 mil hectares no município de Costa Marques (fronteira Brasil-Bolívia).

 

Nessa região ainda é possível avistar onças-pintadas, macacos, tamanduás, cobras, lagartos, diversos pássaros, borboletas e demais insetos.

 

Em outubro de 2001, uma empresa de engenharia ajudou na viabilidade da co-gestão, instalando um conselho consultivo com representantes das comunidades locais. Paralelamente, criou um plano de sustentabilidade econômica, visando à recepção de visitantes, turistas, estudantes e público em geral.

 

Bem próximas ao Parque estão as praias do rio Guaporé, onde se encontra o berçário de quelônios que a cada ano povoa as águas com filhotes de tartarugas (Podocnemis expansa) e tracajás (Podocnemis unifilis), oferecendo um dos mais belos espetáculos de reprodução animal do mundo.

 

O secretário visitou o Projeto Quelônios, uma iniciativa da comunidade ribeirinha representada pela Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale) em parceria com a Sedam e Batalhão de Polícia Ambiental (BPA).

 

Até então, aves predadoras comem os ovos de tartarugas e tracajás a cada ano, enquanto contrabandistas furtam os próprios animais de seu hábitat natural para vendê-los a restaurantes ou para almoços e jantares clandestinos.

 

O prejuízo à fauna vem se acumulando. Alvo tão fácil quanta a tartaruga, o tracajá também se alimenta do plâncton fluvial, porém, põe menos ovos – de 15 a 30 ovos a cada reprodução. Apenas 10% dos ovos são reproduzidos normalmente.

 

A possível incorporação das praias aos limites do Parque possibilitaria melhor fiscalização, evitando esse grave problema.

 

O coordenador de Unidades de Conservação (CUC), Fábio França, e o turismólogo e gestor ambiental do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) no Parque, Darius Augustus, mostraram o local ao secretário Joaquim Leite. É o primeiro que ele visita nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira. A coordenadora de florestas plantadas e mudanças ambientais, Julie Messias também o acompanhou na visita.

 

À frente dos mapas com imagens de satélite, Darius disse acreditar que o Parque com área expandida fortaleceria o Corredor Ecológico Costa Marques-Itenez de La Frontera (Beni, Bolívia), avaliado 30 anos atrás pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

 

Da mesma forma, o coordenador da CUC, Fábio França, enfatizou a importância turística desse verde.

 

“Ele mantém em pé uma extensa área de floresta muito rica por sua biodiversidade; é um atrativo natural ao turista que busca experimentar a vivência amazônica”.

 

O gestor Darius Augustus disse ao secretário que no entorno do Parque existem áreas devolutas da União, “ainda não requeridas”. E ponderou: “Tudo depende de vontade política, e, logicamente, de dinheiro”.

 

Joaquim Leite fez fotos da floresta, caminhou numa trilha, e em seguida conheceu a base do Parque, reformada depois de 15 anos da derradeira modificação. Darius mostrou-lhe quartos e alojamentos.

 

Criado em 8 de agosto de 1995, pelo Decreto nº 7027, o Parque teve alterados seus limites pela primeira vez em 1997, pela Lei 764, reafirmando o espaço territorial para a conservação da biodiversidade e realização de pesquisas técnico-científicas. Uma delas é recente e será brevemente informada pela Sedam.

 

TURISMO POTENCIAL

Cerca de 20 mil pessoas participam anualmente do Festival de Praia de Costa Marques. Além das atrações faunísticas e florestais do Parque, outro acontecimento também fortalece o pleito: a centenária Procissão do Divino, que também ocorre a cada ano, nas águas do rio Guaporé, passando por diversas comunidades.

 

Joaquim Leite disse ao secretário do Desenvolvimento Ambiental Marcílio Lopes que, se o Parque receber melhor estrutura, a região de Costa Marques ganharia voos regionais a partir de Porto Velho e Guajará-Mirim.

 

“Isso acontece na Patagônia, e para atrair mais visitantes em trajetos menores de voos, aqui poderia ser bem utilizada a plataforma floresta e unidade ambiental”, comentou o secretário da Amazônia um dia antes, durante a visita à Base da Resex do rio Cautário, aonde ele chegou, no dia 17.

 

 FAZENDEIRO PRESERVA

 Dono da Fazenda Bacuri (232 ha), vizinha ao Parque, o baiano Arthur Miranda Neto também conversou com o secretário de Amazônia, dando-lhe notícias alvissareiras: “Eu comecei a trabalhar aqui em meados da década de 1980, e me orgulho de nunca ter queimado, nem sacrificado animais, e a beira dos córregos estão todas preservadas”.

 

“Parabéns, parabéns, sua atuação é valorosa”, elogiou o secretário. “O que precisarem, conte com a gente”, respondeu-lhe Arthur Neto.

 

No período seco do ano, entre junho e outubro, ele consegue confinar 500 bois em apenas um alqueire de pasto. E vê nessa prática “o suficiente”: “Todo cidadão que quiser preservar pode fazer do jeito que eu faço aqui”.

 

O filho dele, o agrônomo Rodrigo, é gestor ambiental e admira muito o Guaporé. A família veio de Bom Jesus da Lapa (BA) em 1985, passou um período em Cerejeiras e se mudou para Costa Marques.

 

O secretário Joaquim Leite explicou ao fazendeiro a disponibilidade de recursos do Programa Floresta+ também para as reservas legais. “A base é boa, a sua preservação de córregos está entre os itens contemplados”, disse a Arthur Neto.

 

 

 

 

 

Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Frank Néry
Secom - Governo de Rondônia


 
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