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Sob a terra, uma história de 5,5 mil anos: documentário exibido pelo CINEAMAZÔNIA em Candeias revela passado que ajuda a pensar o futuro da Amazônia

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Sob a terra, uma história de 5,5 mil anos: documentário exibido pelo CINEAMAZÔNIA em Candeias revela passado que ajuda a pensar o futuro da Amazônia
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O que existia em Rondônia antes das cidades, das rodovias e até mesmo da chegada dos europeus? A resposta para essa pergunta esteve na tela da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Candeias do Jamari, durante a programação de encerramento da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental.

 

Na última sexta-feira (7), estudantes acompanharam a exibição de Terra Preta, episódio da série Amazônia, Arqueologia da Floresta, dirigido por Tatiana Toffoli. O documentário conduz o público ao Sítio Arqueológico Teotônio, às margens do Rio Madeira, local onde pesquisadores encontraram a terra preta mais antiga já registrada na Amazônia, com cerca de 5.500 anos.

 

Além de apresentar descobertas arqueológicas, o filme propõe uma mudança de perspectiva sobre a própria história da floresta. Durante décadas, prevaleceu a ideia de que a Amazônia era um território pouco ocupado antes da colonização europeia. As pesquisas mostradas no documentário revelam exatamente o contrário: povos indígenas habitavam a região há milênios, manejavam a floresta, cultivavam alimentos, produziam cerâmicas e desenvolveram tecnologias que ainda hoje despertam o interesse da ciência.

 

A floresta como construção coletiva

 

Ao acompanhar o trabalho de arqueólogos em campo, o documentário mostra que a Amazônia não é apenas um patrimônio natural, mas também um território profundamente marcado pela presença humana.

 

Para a diretora Tatiana Toffoli, apresentar essa história aos jovens é uma forma de ampliar a compreensão sobre a diversidade e a inteligência dos povos que ajudaram a construir a floresta que existe hoje. “É importante porque o documentário acompanha as pesquisas realizadas por cientistas que se dedicam a encontrar vestígios das ocupações antigas da Amazônia para que possamos compreender melhor o modo de vida, a alimentação, a organização social e a tecnologia desses povos. Desde pequenos, precisamos compreender a diversidade e a sabedoria dos povos da floresta que manejaram e cultivaram a Amazônia que conhecemos hoje”, destaca.

 

Segundo ela, a produção também aproxima os estudantes do universo científico. “O documentário mostra o trabalho dos arqueólogos em campo, trabalhando de forma coletiva. Isso pode despertar o interesse das crianças e dos jovens pelo conhecimento científico e pela pesquisa.”

 

Rondônia no centro da história amazônica

 

Entre os pesquisadores que participam do documentário está a arqueóloga e professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Silvana Zuse. Para ela, as descobertas realizadas na região do Rio Madeira ajudam a reposicionar Rondônia dentro da história da ocupação humana na Amazônia. “As pesquisas no sudoeste amazônico são extremamente importantes. Aqui temos centros de domesticação de plantas, como a mandioca. Também é daqui que surgiram os povos de língua tupi, que posteriormente se expandiram por uma ampla região da América do Sul. Além disso, temos as terras pretas mais antigas registradas na Amazônia”, explica.

 

Segundo a pesquisadora, os vestígios encontrados demonstram uma ocupação contínua e sofisticada da região ao longo dos séculos. “Esses povos estavam manejando a paisagem, produzindo conhecimento e deixando registros através das cerâmicas, dos artefatos e da própria formação da terra preta. Nosso trabalho busca compreender essa história, suas continuidades e transformações.”

 

As pesquisas realizadas em Teotônio se somam a outros estudos recentes, como os levantamentos arqueológicos realizados no sul de Rondônia, na região de Mojos, na Bolívia, e às investigações que vêm revelando novas evidências de antigas sociedades amazônicas. Juntos, esses trabalhos ajudam a reconstruir uma narrativa mais complexa e diversa sobre o passado da floresta.

 

Cinema como ponte para a ciência

 

Para Silvana Zuse, levar esse conhecimento para dentro das escolas é um dos grandes méritos do CINEAMAZÔNIA. “O impacto de trazer esse documentário para os estudantes é enorme. Muitas vezes existe uma dificuldade de aproximação entre as escolas, a universidade e os centros de pesquisa. O cinema ajuda a fazer essa ponte. Ele leva para os estudantes uma história que ainda é pouco conhecida e que nem sempre aparece nos livros didáticos.”

 

Ela destaca ainda que compreender o passado é essencial para pensar os desafios do presente. “Estamos vivendo um momento em que precisamos discutir sustentabilidade e mudanças climáticas. Os povos originários têm muito a nos ensinar sobre formas de convivência com a floresta. Divulgar esse conhecimento é fundamental.”

 

Para o diretor do CINEAMAZÔNIA, José Jurandir da Costa, encerrar a programação escolar do festival com um documentário como Terra Preta reforça uma das missões centrais do projeto: aproximar os jovens de temas que ajudam a compreender a Amazônia para além dos estereótipos. “Quando um estudante descobre que o território onde ele vive guarda evidências de sociedades que existiram há milhares de anos, ele passa a enxergar sua própria região de outra forma. O documentário mostra que a Amazônia não é apenas um espaço de biodiversidade, mas também um território de conhecimento, cultura e inovação construída por diferentes povos ao longo do tempo.”

 

Segundo Jurandir, compreender essa trajetória é essencial para formar cidadãos mais conscientes. “O futuro da Amazônia depende das escolhas que estamos fazendo agora. E para fazer boas escolhas é preciso conhecer a história. O cinema tem essa capacidade de transformar pesquisa em experiência, despertando curiosidade, reflexão e pertencimento.”

 

A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia. Apoio: Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Comunicação; Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

 

 

Fonte
João Alves
Assessoria de Imprensa

Realização: Acapulco Filmes.

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