O ano de 2027 ainda parece distante para muitos empresários, mas as mudanças que entrarão em vigor a partir de 1º de janeiro já acendem um sinal de alerta no setor produtivo. Para o Sindicato da Micro e Pequena Indústria de Rondônia (SIMPI), o momento deixou de ser apenas de preocupação: é hora de preparação, cobrança e mobilização. “Chegamos em um ponto que a preocupação não basta pois a Reforma Tributária trará mudanças profundas para as empresas e que empresários precisam entender, se preparar e participar agora das discussões sobre regras que afetarão nossos negócios”, diz Leonardo Sobral presidente da Feempi/Simpi. A Reforma Tributária do Consumo entrará em uma de suas etapas mais importantes em 2027. De acordo com o cronograma oficial da Receita Federal, PIS e Cofins serão extintos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passará a ser efetivamente cobrada e começará a vigorar o Imposto Seletivo. (Serviços e Informações do Brasil) as mudanças fazem parte da transição para o novo modelo tributário brasileiro, que também inclui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Para o SIMPI, entretanto, o debate não pode ficar restrito às promessas de simplificação do sistema. É preciso olhar para o que acontecerá, na prática, dentro das empresas, especialmente nas micro e pequenas, que possuem menor estrutura administrativa e financeira para enfrentar uma mudança dessa dimensão. O Simples Nacional não será extinto com a Reforma Tributária. Isso, porém, não significa que seus optantes possam simplesmente ignorar as mudanças. O novo sistema traz decisões importantes principalmente para empresas que vendem produtos ou serviços para outras empresas, em razão da sistemática de créditos do IBS e da CBS. A própria legislação criou regras específicas para a relação entre o Simples Nacional e os novos tributos, o que pode influenciar a competitividade de determinados negócios no mercado B2B (venda de empresa para empresa) . Na avaliação do SIMPI, esse é justamente um dos grandes perigos: acreditar que, por estar no Simples Nacional, nada mudará. A entidade alerta que o empresário precisa conversar com seu contador, analisar sua atividade, entender seus clientes, rever preços, contratos e fluxo de caixa e descobrir antecipadamente como as novas regras poderão atingir sua operação. Esperar janeiro de 2027 para descobrir o impacto da Reforma Tributária pode ser tarde demais. Outro ponto que preocupa o SIMPI é o chamado split payment, mecanismo pelo qual o valor correspondente ao tributo poderá ser segregado durante a liquidação financeira da operação, em vez de necessariamente passar integralmente pelo caixa do vendedor para ser recolhido posteriormente. A legislação já prevê o mecanismo e sua implementação será gradual, em etapas definidas pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS. Para o Governo Federal, o sistema é uma ferramenta importante para combater inadimplência, fraude e sonegação tributária. Para o SIMPI, porém, é fundamental que sua implantação considere a realidade financeira das micro e pequenas empresas e os possíveis efeitos sobre o capital de giro, e é aí que o alerta fica mais sério. Para uma pequena empresa, capital de giro não é dinheiro sobrando. É o recurso usado para comprar mercadoria, pagar funcionários, fornecedores, aluguel, energia e manter a operação funcionando entre uma venda e outra. Por isso, qualquer mudança que altere o momento em que os recursos entram e saem do caixa precisa ser acompanhada com atenção. “Alguém precisa fazer alguma coisa.” Mas alguém quem? Além de alertar sobre as mudanças técnicas, o SIMPI chama a atenção para outro problema: a falta de mobilização do próprio setor empresarial. Há preocupação. Há reclamações. Há empresários assustados com as mudanças. Mas preocupação, sozinha, não altera lei, regulamentação ou decisão de governo. Para o SIMPI, é preciso que micro e pequenos empresários deixem de acompanhar esse processo apenas como espectadores. Não basta reclamar em grupos de WhatsApp que a Reforma Tributária é complicada, que o custo está alto ou que determinada regra prejudica a empresa. Se o setor produtivo não se organiza, não cobra seus representantes e não participa do debate, outras pessoas decidirão por ele. A entidade defende que este é o momento de ampliar a mobilização empresarial, acompanhar as regulamentações, levar as preocupações do setor aos parlamentares e pressionar para que a implementação do novo sistema considere a capacidade das pequenas empresas de se adaptar. O Brasil já iniciou a transição para o novo sistema tributário, e 2027 representa mais uma etapa concreta dessa transformação. O calendário não depende de o empresário estar preparado ou não. É justamente por isso que o SIMPI reforça: o pior caminho agora é não fazer nada. SIMPI afirma que continuará acompanhando a implantação da Reforma Tributária, questionando medidas que possam prejudicar micro e pequenas empresas e defendendo alterações quando forem necessárias, mas deixa também uma provocação aos demais empresários: 2027 ainda não chegou. Ainda existe tempo para se preparar, cobrar e reagir. Depois que a regra estiver valendo e o impacto chegar ao caixa da empresa, reclamar que ninguém fez nada não será suficiente. A defesa da pequena empresa não pode ser responsabilidade de “alguém”. Tem que ser responsabilidade de todos que vivem dela.
Assista: https://youtu.be/U7G-XCvhOPI













