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A mudança de uma realidade no campo só começa de verdade a partir da educação. Prova disso foi o auditório lotado por mais de 200 estudantes durante o seminário “Conexão Sustentável – O Futuro da Pecuária”, promovido na última semana pela Ecoporé, por meio do projeto Escola da Pecuária Sustentável. Com o olhar voltado para os futuros profissionais que atuarão lado a lado com os produtores rurais, o evento mostrou a força da nova geração nas ciências agrárias.

Realizado no Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA) em parceria com a Embrapa, o encontro teve um foco claro: agregar conhecimento aos acadêmicos — em sua esmagadora maioria alunos de Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia — e provar que uma pecuária verdadeiramente sustentável é, sim, possível.

Além do número expressivo de participantes, a energia do público chamou a atenção por um dado inspirador: o protagonismo feminino. Com 52% da plateia formada por mulheres, o evento evidenciou a força delas no setor. A juventude também ditou o tom das discussões, com grande parte dos presentes na faixa dos 17 aos 20 anos.

Para a coordenadora do projeto,  Semirian Amoedo, essa forte adesão comprova o sucesso da iniciativa. “O seminário foi um evento muito positivo dentro do Projeto Escola da Pecuária Sustentável. Reuniu principalmente estudantes de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, o que prova o quanto esse tema já faz parte da formação dos futuros profissionais do campo”, avaliou.

Ainda segundo Semirian, o engajamento ativo dos alunos faz toda a diferença: “Ver mais de 200 estudantes interessados, que fizeram perguntas e participaram das discussões, reforça que a nova geração quer produzir de forma mais responsável. A pecuária do futuro precisa conciliar produção, conservação e renda, e formar esses jovens com essa visão é essencial para transformar a realidade da Amazônia”.

Para consolidar essa mentalidade na nova geração, a ponte com as universidades é essencial. Para a analista socioambiental da Ecoporé, Andryni Brasil, o contato com a academia é uma ferramenta poderosa de transformação. “Realizar um evento como este no ambiente acadêmico de graduação na área de Ciências Agrárias possui grande relevância, pois proporciona aos estudantes o contato com temas fundamentais para a formação profissional”, destaca. Ela reforça ainda que “a abordagem sobre pecuária sustentável, os desafios enfrentados atualmente pelo setor e as tecnologias disponíveis contribui para ampliar a visão dos futuros profissionais e técnicos que atuarão na área” a analista socioambiental explica.

A pesquisadora da Embrapa-RO, Dra. Ana Karina, ressaltou que a troca de conhecimento com os alunos foi um momento de reflexão e muita produtividade. Ela enfatizou que a atividade pecuária, quando bem executada, é estratégica para o Brasil, seja no cumprimento das legislações ambientais ou na abertura de novos mercados.

A especialista apontou que intensificar a produção e diminuir a pressão sobre o meio ambiente é o primeiro passo. Além disso, ela reforçou a importância de políticas públicas e tecnologias a favor da conservação

A transição para uma produção mais responsável na Amazônia é o foco principal da Escola da Pecuária Sustentável, que busca provar que a preservação ambiental joga a favor do produtor. Durante o seminário da iniciativa, o Gerente de Inteligência Territorial da Ecoporé, Flávio Santos, explicou que os serviços ecossistêmicos gerados pela restauração florestal beneficiam toda a cadeia produtiva, especialmente diante das novas exigências comerciais globais.

Essa modernização do setor atende não apenas às leis brasileiras, mas também à crescente demanda global pela redução do desmatamento associado a produção agropecuária. “Existem compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) assumidos pelo Brasil que se ligam à cadeia da pecuária, como os que pautam a redução dos gases emitidos pela digestão dos animais, a necessidade da recuperação de pastagens degradadas, a rastreabilidade da origem dos bois e o fim da pressão agropecuária para a abertura de novas áreas”, destacou Flávio.

O gerente ressaltou ainda que o cumprimento dessas metas, apoiado pelo Código Florestal e por programas como o Plano ABC+, “é demandado por grandes mercados consumidores como China e União Europeia”.

Para que essas exigências de mercado e metas ambientais saiam do papel e cheguem ao pasto, o trabalho no campo precisa se adaptar ao dia a dia de cada fazenda. Na mesma linha, o extensionista Fernando Baldoino abordou os desafios reais da implantação das Unidades de Referência (URs) do projeto, destacando a importância de um contato direto com as diferentes realidades rurais para que a transição sustentável realmente aconteça.

“A implantação das Unidades de Referência tem sido uma experiência muito importante dentro da extensão rural, porque nos coloca diretamente na realidade das propriedades”, explicou Baldoino. Ele detalhou que a equipe precisa de diálogo constante para lidar com desafios que variam desde a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APP) até o melhoramento do pastejo e demandas estruturais, como a reforma de currais. “Esses diferentes cenários mostram como a extensão rural precisa ser prática e flexível, construindo soluções junto com o produtor e respeitando a realidade de cada sistema produtivo”, concluiu o extensionista.

O esforço em investir na educação desse segmento já rende frutos. O evento impactou a visão dos acadêmicos, a exemplo do estudante de agronomia,  Charles Chargas. Ele acompanhou de perto as discussões sobre o manejo adequado do solo, da água e as tecnologias de redução de impacto ambiental.

“A palestra contribuiu de forma significativa para o meu aprendizado acadêmico e profissional. O evento reforçou a sustentabilidade como um princípio essencial para o futuro da produção rural e provou a viabilidade de unir desenvolvimento econômico e preservação ambiental”, destacou o estudante.

Essa percepção de que a atividade produtiva precisa caminhar em harmonia com a natureza é um consenso entre os futuros talentos da área.

O seminário encerrou suas atividades com uma mensagem inspiradora: o investimento nos profissionais de amanhã planta hoje as sementes para uma Amazônia mais protegida.

Esta publicação é uma parceria entre a Ecoporé e o projeto ProTS, financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha e implementado pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O seu conteúdo é de responsabilidade exclusiva da Ecoporé e não reflete necessariamente as opiniões do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

Foto e texto: Joshua Lacerda

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