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Toada do Boi-Bumbá Garantido homenageia associações de empreendedores indígenas do Amazonas beneficiadas pela FAS

Amimsa, Numiã Kura, Assai e Watyamã, beneficiados pelo projeto "Parentas que fazem", da FAS, são citados na toada "Artesãs Indígenas"

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14 de maio de 2025
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Os saberes, tradições e legados de mulheres indígenas na produção de artesanato ganham protagonismo no Festival Folclórico de Parintins 2025, por meio da nova toada do Boi-Bumbá Garantido, intitulada “Artesãs Indígenas”, do álbum “Boi do povo, boi do povão” . A toada celebra o trabalho manual como forma de resistência e afirmação cultural.

Assinada pelos compositores Geandro Matos, Ulisses Rodrigues, José Carlos e Wanderson Rodrigues, a canção já ultrapassa 60 mil visualizações no YouTube (assiste aqui ) e homenageia associações de mulheres indígenas que atuam na cadeia do artesanato.

Quatro das associações integram o projeto “Parentas que Fazem”, iniciativa que fortalece organizações de mulheres indígenas do Amazonas ligadas à sociobioeconomia. A primeira fase do projeto, finalizada em dezembro de 2024, capacitou 374 mulheres de diversos povos indígenas.

As instituições citadas na música são: Associação de Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro – Numiã Kura, também conhecida como AMARN, Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI), Associação das Mulheres Indígenas do Médio Solimões e Afluentes (AMIMSA) e Watyamã – Organização das Mulheres Indígenas Sateré-Mawe. Além desses três, também foram beneficiados pelo projeto da Associação das Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (AMISM) e Associação de Mulheres Indígenas da Região do Alto Rio Negro (AMIARN).

O projeto “Parentas que Fazem” é realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio do Google.org, e em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas – Makira-E’ta.

O verso “As parentes que fazem a arte que vem do coração da floresta e encanta os olhos do mundo” também pode ser uma referência simbólica ao projeto da FAS, exaltando, de forma poética, as mulheres indígenas que exercem esse fazer cultural, reforçando o reconhecimento da iniciativa e das técnicas ancestrais, como a tecelagem com arumã e o artesanato com a fibra da palha do tucum, que é retirada com bastante dificuldade de árvores espinhosas como a do Tucumã e Buriti, que são frutos amazônicos.

A Numiã Kura, considerada associação de mulheres indígenas mais antigas do Brasil, com 38 anos, é referência na produção de biojoias, bolsas e acessórios com tucum. “Estamos imensamente felizes com essa honrosa indicação na toada do Garantido. O artesanato das mulheres indígenas merece cada vez mais reconhecimento e valorização, não apenas pela sua beleza e força cultural, mas também pelo profundo resgate histórico que representa”, comenta Isabel Tukano, presidente da AMARN.

Já a ASSAI, localizada no município de São Gabriel da Cachoeira (distante 852 km de Manaus), se destaca pela arte da tecelagem com arumã. A canção também valoriza os povos Sateré-Mawé, Baniwa, Hixkaryana, Yanomami, Tikuna e Kokama, destacando técnicas como cerâmica, cestaria, gravura, grafismo e outras formas tradicionais de expressão cultural.

Segundo Socorro Batalha, integrante da Comissão de Artes do Garantido, “o objetivo é mostrar, na arena, como esse saber ancestral é transmitido das mulheres mais velhas às mais novas, como o ofício das artesãs é repassado e como essas mulheres são protagonistas desse fazer.”

A toada ganha ainda mais força com a voz potente da cantora Márcia Siqueira, e se diferencia por incluir a participação de artesãs e representantes do povo Sateré-Mawé na gravação. Entre elas estão Moy Sateré-Mawé, reconhecida nacionalmente por sua liderança e atuação pela autonomia financeira das mulheres indígenas por meio da bioeconomia, além de Yará, Inara e Turí Sateré-Mawé.

Segundo Rosa dos Anjos, líder do Programa do Protagonismo Indígena da FAS, “o Festival Folclórico de Parintins se engrandece ao valorizar os povos indígenas, especialmente as mulheres, guardiãs de saberes ancestrais e tradições milenares. Ao homenagear as associações AMIMSA, Numiã Kura e ASSAI, na toada Artesãs Indígenas com a participação da WATYAMà, o Boi Garantido mais que merecidamente reconhece a importância dos povos indígenas representados pelas mulheres artesãs indígenas Com o apoio do projeto Parentas que Fazem ,essas artesãs mostram que a arte indígena é resistência, identidade e cultura”, afirma.

Sobre o projeto “Parentas que Fazem”

A iniciativa realizou cinco workshops de formação em empreendedorismo e promoveu troca de saberes com o estilista amazonense Maurício Duarte, conhecido por levar a moda amazônica ao cenário internacional. Ele converteu escritórios na sede da AMIARN, na aldeia Yabi (povo Baré), em São Gabriel da Cachoeira, e de grafismo e tecelagem com tucum na sede da AMARN, em Manaus. Também participou de atividades em Tefé (523 km de Manaus), junto à AMIMSA.

Além disso, a FAS, por meio dos Parentas que Fazem, mapeou 118 organizações de mulheres indígenas da Amazônia, com o objetivo de identificar atividades prioritárias para investimentos em sociobioeconomia, fortalecendo o protagonismo feminino indígena e suas formas de sustento. A publicação está disponível no site: fas-amazonia.org .

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade. Com 17 anos de atuação, a instituição tem números de destaque, como o aumento de 202% na renda média de milhares de famílias beneficiadas e a queda de 39% no desmatamento em áreas atendidas.

Sobre a Coiab

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) é uma organização indígena com 36 anos de atuação na defesa dos direitos indígenas à terra, saúde, educação, cultura e sustentabilidade, considerando uma diversidade de povos, e evolui sua autonomia por meio de articulação política e fortalecimento das organizações indígenas. É a maior organização indígena regional do Brasil em número de povos incluídos e área de abrangência. Atua em novos estados da Amazônia Brasileira (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e está articulada com uma rede composta por associações locais, federações regionais, organizações de mulheres, professores, estudantes indígenas, e subdividida em 64 regiões de base.

Sobre Makira E’ta

A Makira E’ta – Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) independente, privada, de interesse público, sem vínculos político-partidários, com fins não econômicos, fundada no dia 27 de julho de 2017. Tem como missão a promoção e o desenvolvimento social, político e econômico, com prioridade para a mulher indígena. A Makira E’ta acredita em uma sociedade com igualdade de oportunidades para todas as pessoas e neste o protagonismo da mulher indígena, principalmente nas comunidades que não são alcançadas pelas políticas públicas estaduais e municipais.

 

 

 

 

 

FONTE:Emanuelle Araújo Melo de Campos

FOTO: LUCAS BONNY 

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