Ontem, a Polícia Militar de Vilhena foi acionada e enviou uma guarnição para averiguar a denúncia feita por vizinhos de uma residência de onde, segundo eles, frequentemente era ouvido o choro de duas crianças (uma menina de 7 anos e um garoto de 10), que estariam sendo vítimas de maus tratos.
Conforme um casal de vizinhos das crianças, corriqueiramente eram ouvidos os gritos e o choro delas, que aparentavam sofrer violência por parte dos pais. Os episódios começavam ainda durante a madrugada, ocasião em que as supostas vítimas começariam o “griteiro” e os pais passariam a “berrar” com elas.
Antes de acionarem a PM, os denunciantes subiram no muro e viram, na residência ao lado, o menino chorando. Ele estava ajoelhado, enquanto o pai esbravejava. Ambos relataram ter ouvido e presenciado circunstâncias compatíveis com agressão física contra o garoto.
Quando a equipe policial chegou à residência denunciada, o pai do casal de crianças já havia saído para trabalhar. A mãe delas foi informada sobre o motivo da presença policial e da denúncia recebida feita. Em seguida, ela confirmou que, naquela data, houve um “corretivo” aplicado às crianças, justificando que os filhos não obedeceriam às determinações dela e do marido, e fariam “artes”, expressão utilizada para se referir a travessuras próprias da infância.
Diante da mãe, a guarnição constatou, no corpo do garoto, marcas vermelhadas nas pernas e na região da cintura. Na sala da residência foi localizada uma corda, que teria sido usada para castigar o menino, que confirmou ter apanhado do pai.
O motivo da surra teria sido o fato de a criança beber um refrigerante que estava na geladeira, contrariando a determinação paterna. A criança também confirmou que o pai havia determinado que ela permanecesse ajoelhada. A irmã menor dele não foi castigada.
Durante o contato com a guarnição, a mãe do pequeno casal informou que ambas as crianças possuem determinado grau de autismo e são consideradas muito hiperativas. Relatou, ainda, que a filha apresenta resistência durante o banho, não gostando de permanecer dentro do banheiro, circunstância que frequentemente provoca choro e gritos, que são ouvidos pelos vizinhos.
A mãe também alegou que que as crianças seriam consideradas muito travessas e, segundo ela, frequentemente necessitariam de correção disciplinar. Diante dos indícios de maus tratos, a mãe das vítimas foi apresentada na Unisp e acompanhou o registro da ocorrência policial. Junto com o pai acusado de violência, ela também será investigada.
Fonte: Folhadosulonline













