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Quem é Tatiana Sampaio, a pesquisadora brasileira que tenta curar a paraplegia

Professora Doutora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento do estudo com a polilaminina.

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1 de março de 2026
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Durante o Carnaval, uma declaração do presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro sobre a influenciadora Virgínia Fonseca recebeu uma curiosa retaliação. Enquanto Gabriel David classificou a rainha de bateria da Grande Rio como “talvez a mulher mais midiaticamente relevante do Brasil”, internautas sugeriram outro nome para o posto: o da pesquisadora Tatiana Lobo Coelho de Sampaio.

Tatiana é a cabeça por trás das pesquisas sobre a polilaminina – substância que tem mostrado resultados promissores na recuperação de movimentos após lesões completas na medula –, e não tem perfis em redes sociais.

Aos 59 anos, a professora de histologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vive uma realidade distante do glamour das telas: sua rotina vem sendo marcada pelo toque incessante de um telefone que não para, trazendo pedidos desesperados de quem busca, nela, a cura para a paralisia.

Mãe de dois filhos biológicos e de uma “filha agregada” – uma ex-aluna órfã que foi acolhida na família –, a pesquisadora ganhou fama a partir de setembro de 2025, quando foram divulgados os primeiros resultados de sua pesquisa com a substância que vem sendo tratada de modo informal (e de certo ponto até equivocado) como a “cura para a paralisia”.

Criadora da polilaminina tem ex-aluna como “filha agregada”

Sampaio sempre foi apaixonada pela ciência, e começou sua carreira acadêmica como estudante no curso de Biologia na UFRJ. A escolha se deu porque, segundo a pesquisadora, era o caminho mais rápido para que ela se tornasse cientista.

O caminho, porém, não foi o mesmo traçado pelos dois filhos. Um deles seguiu carreira na economia, enquanto a outra se dedicou ao estudo de Relações Internacionais. A “filha agregada”, por ter sido aluna e estagiária de Sampaio, é quem está mais perto de seguir o legado da mãe: hoje ela está estudando os potenciais efeitos da polilaminina na recuperação de pacientes com câncer de mama. Ainda não há resultados públicos dessa nova linha de pesquisa.

Cabeça “de esquerda” teve medo de parceria com empresa privada

Para desenvolver a pesquisa, Sampaio contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e com a estrutura da UFRJ. A parceria com o Laboratório Cristalia, empresa privada que é a única autorizada a produzir a polilaminina, começou com uma certa desconfiança por parte da pesquisadora.

“Eu tinha medo de entrar em contato. Eu sempre fui uma cabeça de esquerda, então nunca imaginei que ia ter que fazer uma cooperação com uma empresa, porque me parecia uma coisa meio perigosa, a princípio”, disse Sampaio em entrevista no canal TV 247 no YouTube.

Patentes internacionais da polilaminina foram perdidas por falta de pagamento

A autorização exclusiva de fabricação é fruto da única patente da polilaminina, registrada no Brasil junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A substância chegou a ser submetida para patenteamento na Europa, nos Estados Unidos e em um escritório de âmbito mundial. Todos os registros, porém, foram perdidos.

O fato foi detalhado pela pesquisadora durante a mesma entrevista. Segundo ela, cortes de verbas federais realizados nos anos de 2015 e 2016 fizeram com que a universidade não tivesse mais dinheiro para pagar aos escritórios internacionais e manter as patentes.

Na entrevista, enquanto dizia que os cortes no orçamento trazem esse tipo de consequências, a pesquisadora foi subitamente interrompida pela entrevistadora Hildegard Angel. A colunista social e apoiadora ferrenha de Lula e do PT se apressou em afirmar que tais cortes foram feitos durante a presidência de Michel Temer.  “Os cortes do governo do Temer, né? 2016. Eles queriam mesmo inviabilizar a ciência no Brasil e fizeram isso com sucesso. Era um projeto claro de entregar todo o nosso conhecimento científico para utilização estrangeira”, afirmou Angel. Tatiana não desmentiu.

Cortes de verbas que levaram à perda das patentes ocorreram no governo de Dilma Rousseff

Mas as datas trazidas durante a entrevista não são as mesmas que aparecem nos registros oficiais. A patente junto ao World Intellectual Property Organization (WIPO), aparece como “cessada por expiração antecipada”, o que poderia ter sido motivado pela falta de pagamento junto ao escritório de registro. Esse status é de 5 de março de 2011.

No United States Patent and Trademark Office (USPTO), a patente aparece como “abandonada após falha em responder a uma ação do escritório”. O abandono foi confirmado após outra potencial falta de pagamento. Esse status é de 5 de agosto de 2014.

Por fim, a patente registrada no European Patent Office (EPO) aparece como “retirada”, o que também poderia ser motivado pela falta de pagamento do registro. Nesse caso, o status data de 11 de dezembro de 2014.

A reportagem entrou em contato com a UFRJ e com a Faperj questionando sobre essa diferença nas datas citadas na entrevista com aquelas presentes nos registros oficiais – que mostram que os cortes de verbas ocorreram nos governos de Dilma Rousseff –, mas ainda não recebeu resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

 

Fonte: GAZETA DO POVO

Por Fabio Calsavara

Foto:HugoCarval | Wikimedia Commons)

 

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